Importação a granel: o que muda com o desligamento da DI e por que o importador precisa se preparar
Importação a granel: o que muda com o desligamento da DI e por que o importador precisa se preparar
Postado em: 18/09/2026
Quem trabalha com comércio exterior já acompanha há algum tempo a migração do modelo tradicional de importação para o Novo Processo de Importação.
A mudança envolve a expansão da Declaração Única de Importação (Duimp) e o desligamento gradual da Declaração de Importação (DI) em diferentes situações.
Um dos próximos marcos merece atenção especial de empresas que trabalham com mercadorias em embalagem do tipo granel.
O desligamento dessa modalidade por DI, que estava previsto inicialmente para agosto de 2026, foi adiado para 11 de outubro de 2026. Segundo o Siscomex, a prorrogação tem como objetivo permitir que os intervenientes tenham mais tempo para adaptar sistemas e procedimentos às mudanças relacionadas à implantação dos novos processos por Duimp.
Para quem realiza esse tipo de operação, o prazo não é apenas uma informação de calendário. Ele pode exigir revisão de processos antes da próxima importação.
O que é uma importação a granel?
Em uma operação convencional, a mercadoria costuma ser acondicionada em embalagens individuais, caixas, sacos, pallets, tambores ou outras formas de apresentação.
Na modalidade a granel, o produto é transportado sem acondicionamento individual em uma embalagem convencional.
É comum encontrar esse tipo de operação em determinados segmentos industriais e no comércio de matérias-primas, produtos químicos, minerais, combustíveis, alimentos e outras mercadorias.
A forma de acondicionamento influencia informações utilizadas no processo aduaneiro e precisa estar coerente com a documentação e com a operação efetivamente realizada.
Por que a DI está sendo desligada?
O desligamento da DI faz parte da evolução do Programa Portal Único de Comércio Exterior e da implantação do Novo Processo de Importação.
A proposta é concentrar progressivamente o processo de importação na Duimp, com maior integração entre os intervenientes, órgãos públicos e sistemas envolvidos na operação.
Essa transição não acontece de uma única vez.
Existem cronogramas diferentes para determinadas situações, modalidades e funcionalidades. É justamente por isso que o importador precisa acompanhar os marcos específicos que atingem sua operação.
No caso da embalagem do tipo granel, o prazo atualizado para o desligamento da DI é 11 de outubro de 2026.
O que muda para quem ainda utiliza a DI?
A principal mudança é operacional.
A empresa que realiza uma operação enquadrada nessa situação não poderá simplesmente manter o mesmo fluxo de registro depois do desligamento.
Será necessário utilizar o processo disponível no Novo Processo de Importação, observando as regras e funcionalidades aplicáveis à Duimp.
Isso pode envolver ajustes em:
- sistemas internos;
- integração com plataformas de comércio exterior;
- cadastro de produtos;
- procedimentos do despachante;
- conferência documental;
- fluxo de informações;
- treinamento das equipes;
- comunicação com fornecedores e demais intervenientes.
Quanto mais estruturada for a operação da empresa, mais importante é garantir que todas essas partes estejam alinhadas.
O prazo de outubro parece distante, mas não é
Para uma empresa que realiza importações recorrentes, algumas semanas podem passar rapidamente.
Existe um intervalo relativamente curto entre o anúncio do desligamento e a necessidade de utilizar o novo processo, além disso, a preparação não depende apenas do importador.
Despachantes aduaneiros, transportadores, operadores logísticos, fornecedores de sistemas e outros participantes também podem fazer parte do processo.
Uma operação internacional raramente depende de uma única pessoa ou empresa.
Quando um dos elos não está preparado, o reflexo pode aparecer no restante da cadeia.
O que deve ser revisado antes da mudança?
A primeira etapa é identificar se a empresa realmente possui operações afetadas pelo desligamento.
Parece simples, mas esse diagnóstico é importante. Não basta perguntar se a empresa “importa a granel”. É preciso verificar quais operações ainda são registradas por DI, quais produtos estão envolvidos e qual será o procedimento aplicável a partir do desligamento.
Depois disso, vale revisar os processos internos.
Cadastro das mercadorias
Os dados utilizados na operação precisam estar corretos e coerentes entre os sistemas.
Informações inconsistentes podem gerar retrabalho quando a empresa migrar para um novo fluxo.
Sistema utilizado
Empresas que possuem integração com sistemas de comércio exterior devem confirmar se as ferramentas estão preparadas para o novo processo.
Procedimentos do despachante
O despachante precisa estar alinhado com a empresa sobre os novos procedimentos, documentos e informações necessários.
Documentação comercial
Invoice, packing list, conhecimento de transporte e demais documentos devem apresentar informações compatíveis com a operação.
Cronograma
Importações que estejam próximas do período de transição merecem uma análise individual.
Dependendo da programação da operação, pode ser necessário considerar qual será o ambiente de registro utilizado.
E se a empresa fizer uma importação pouco antes do desligamento?
Esse é um ponto que merece planejamento.
Uma operação não deve ser analisada apenas pela data em que o pedido foi feito ao fornecedor.
Entre a negociação e o registro da importação podem existir produção, embarque, transporte internacional, chegada da carga, procedimentos portuários e preparação do despacho.
A empresa precisa considerar o cronograma completo.
Uma importação contratada em setembro, por exemplo, pode ter sua chegada ao Brasil já em um período em que o novo procedimento esteja vigente.
O planejamento precisa acompanhar a operação até o momento do registro.
Duimp não é apenas uma nova tela
Um erro comum em processos de transição é imaginar que a mudança consiste simplesmente em trocar um sistema por outro.
A Duimp está inserida em uma transformação maior do processo de importação.
Ela reúne informações que precisam estar integradas e consistentes ao longo da operação.
Isso exige que a empresa conheça melhor seus próprios dados.
Produto, classificação fiscal, fornecedor, origem, valores, documentos e demais informações precisam conversar entre si.
A qualidade do cadastro passa a ter ainda mais peso.
O que acontece quando o sistema da empresa não está preparado?
O impacto pode variar conforme a operação e o estágio em que o problema for identificado.
Entre as dificuldades possíveis estão:
- impossibilidade de transmitir determinadas informações;
- necessidade de ajustes manuais;
- retrabalho;
- inconsistência entre sistemas;
- atraso no registro;
- necessidade de correção documental;
- impacto no cronograma de liberação da carga.
Em comércio exterior, um problema sistêmico pode rapidamente se transformar em um problema operacional.
Uma carga parada representa mais do que uma questão burocrática. Dependendo do caso, pode envolver armazenagem, programação de produção, disponibilidade de estoque e atendimento ao cliente.
Como se preparar para outubro?
Um bom caminho é criar uma pequena lista de verificação.
- Identifique as operações afetadas.
Verifique quais importações da empresa ainda utilizam DI e possuem embalagem do tipo granel.
- Analise as próximas cargas.
Confira quais operações podem atravessar o período de transição.
- Converse com o despachante.
Confirme como será realizado o procedimento nas próximas importações.
- Valide os sistemas.
Se houver integração por sistema ou API, confirme se os ajustes necessários já foram realizados.
- Revise os cadastros.
Dados inconsistentes podem gerar dificuldades durante a migração.
- Faça testes quando possível.
Utilizar o ambiente de treinamento pode ajudar a identificar problemas antes de uma operação real.
- Não espere o dia 11 de outubro.
A adaptação deve estar pronta antes do primeiro processo que dependa do novo cenário.
O que essa mudança mostra sobre o comércio exterior brasileiro?
A transição para a Duimp não é um evento isolado. Ela faz parte de uma transformação gradual do comércio exterior brasileiro.
Nos últimos anos, o Portal Único passou a concentrar cada vez mais etapas e informações que antes estavam distribuídas em diferentes sistemas.
Para as empresas, isso aumenta a importância de três fatores: informação correta, sistema atualizado e processo bem definido.
Não basta conhecer a legislação. Também é necessário saber como ela será aplicada no sistema utilizado para registrar a operação.
A preparação começa antes do embarque
Esse é um ponto que vale para praticamente qualquer importação.
Quando um problema é identificado antes do embarque, ainda existe espaço para ajustar documentos, revisar informações e reorganizar o planejamento.
Quando ele aparece depois que a carga já está no Brasil, as alternativas podem ser menores e o custo de uma correção pode aumentar.
No caso das operações afetadas pelo desligamento da DI, essa lógica ganha ainda mais importância.
O prazo de 11 de outubro de 2026 está definido para o desligamento da embalagem do tipo granel por DI, e o próprio Siscomex recomenda que os intervenientes façam os ajustes necessários em seus sistemas e procedimentos internos.
Mais uma etapa da modernização das importações
A migração para a Duimp muda gradualmente a forma como as empresas estruturam seus processos de importação.
Para quem trabalha com operações a granel, o próximo marco é uma oportunidade para revisar procedimentos antes que a mudança se torne uma necessidade operacional.
A adaptação não precisa ser tratada como uma corrida contra o prazo.
Com planejamento, a empresa pode testar sistemas, revisar informações e alinhar os participantes da operação com antecedência.
No comércio exterior, estar preparado para uma mudança de procedimento é parte do próprio planejamento da importação.
A Broker Comex acompanha as mudanças do Portal Único e atua na condução de operações de importação, auxiliando empresas na organização dos processos e no cumprimento das exigências aduaneiras.
